Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Análise da Poesia:
A poesia de Gregório de Matos guarda alguns traços marcantes da poética renascentista: trata-se de um soneto, cuja temática está centrada na reflexão moral e filosófica, o título longo e e explicativo da poesia, que é uma característica barroca, evidencia o caráter moralizante do texto.
O texto trata da efemeridade das coisas do mundo, tema bastante envolvido no estilo barroco. O poeta utiliza como exemplo da efemeridade das coisas o sol que não dura mais que um dia, a noite que segue a luz, a beleza que acaba em tristes sombras e a alegria que se transforma em tristeza.
Logo na primeira estrofe, o poeta trabalha com outra característica barroca: o pessimismo com uma visão negativa do mundo e acentua os contrastes com antíteses. Na segunda estrofe apresenta outra característica barroca: a dúvida, só contendo perguntas sem respostas. E nas últimas estrofes é expressa a passagem do tempo que tudo destrói por paradoxos, onde o poeta funde os opostos.
Poesia retirada do site: http://poesiacontraaguerra.blogspot.com.br/2007/05/instabilidade-das-cousas-do-mundo.html
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