Machado de Assis, através de suas
obras, mostrava de forma sutil sua visão de mundo. Pode-se dizer que passou do
romantismo ao realismo, apresentando em suas obras, temas sob uma ótica crítica
e irônica, característica do autor. Machado possuía uma originalidade, buscando
o interior dos personagens e do homem diante da sociedade. Além disso, uma das
maiores características de suas obras era a forma contraditória de apreensão do
mundo. Machado, em geral, apanhava o fato em suas versões antagônicas,
mostrando uma forma superior e mais completa de ver as coisas. Pode-se dizer
que Machado tinha os olhos voltados para as contradições do mundo.
Podemos perceber também, através de
suas obras, traços que revelam a visão do autor quanto determinada situação.
Machado é constantemente seduzido pelo impulso de falar sobre a própria obra
que está escrevendo, isto é, faz metalinguagem, comentando os capítulos, as
frases. Uma das características mais atraentes e refinadas de Machado de Assis
é sua ironia, uma ironia que, embora chegue ao humor em certas situações, tem
geralmente uma sutileza que só a faz perceptível a leitores de sensibilidade a
textos de alta qualidade. Essa ironia é a arma da crítica machadiana dos
comportamentos, dos costumes, das estruturas sociais. Na representação dos
comportamentos humanos, a ironia de Machado de Assis se associa àquilo que é
classificado como o seu grande poder analista da alma humana.
Aspectos psicológicos: Machado de Assis, ao
analisar psicologicamente as personagens, entra na alma de cada um deles,
trazendo todos os defeitos da conduta humana (egoísmo, luxúria, vaidade,
etc).As atitudes boas e honestas, no fundo, nada mais são do que uma máscara
que esconde as verdadeiras intenções das personagens (orgulho, cobiça, etc),
revelando toda a hipocrisia que existe nos seres humanos.
Machado e as mulheres: Suas
personagens femininas são representantes da burguesia, em narrativas que se
passam no final do século XIX ao XX. No período realista de Machado são os
personagens masculinos que narram a maioria das histórias mostrando seu ponto
de vista sobre o universo feminino. Ele representa mulheres inteligentes, doces,
sonhadoras, ora ardilosas, ora inocentes. O universo de Machado possui muitos
tipos de mulheres, todas elas se envolvem em dilemas de amor, casamento, ciúme, sonho, fantasia, desilusão,
desenlace e infidelidade.
Com
o advento dos “novos tempos”, os quais são marcados pelas mudanças de caráter
político, social e econômico, a mulher até então presa ao ideário da família
patriarcal alcança certas liberdades e ocupa novos espaços. Porém, ao mesmo
tempo em que ganha maior liberdade passa a desempenhar novas funções dentro do
âmbito das vivências domésticas. Agora, a mulher tem que se ocupar do lar, dos
filhos e do marido e ainda ser sua companheira na vida social.
Algumas personagens femininas das obras de Machado:
- Lívia, de Ressurreição.
- Guiomar, de A mão e a luva.
- Helena, de Helena.
- Iaiá Garcia, da obra de
mesmo nome.
- Virgília e Marcela de
Memórias Póstumas de Brás Cubas
- Sofia, de Quincas Borba.
- Capitolina, de Dom Casmurro.
- Flora, de Esaú e Jacó.
- Fidélia
e Carmo, de Memorial de Aires.
As fases de Machado de Assis
Os contos de Machado de Assis foram, em sua grande maioria,
publicados incialmente em jornais e revistas de moda e de literatura. Essas
revistas e jornais figuram, portanto, como os maiores representantes do mercado
cultural que promoveu a divulgação da
maioria dos contos machadianos em suas versões iniciais. Podemos ver que
correspondem pela maior parte de sua produção, 163 contos ao todo.
Machado
de Assis apresenta uma divisão de suas obras em duas fases :
1)
Na primeira fase que é conhecida também como
fase romântica, seus personagens possuem características românticas, crenças
nos valores da época, sendo o amor e os relacionamentos amorosos os principais
temas neste período. Podemos destacar para esta primeira fase as seguintes
obras: seu primeiro livro chamado Ressureição publicado em 1872, A Mão e a Luva
em 1874, Helena em 1876 e Iaiá Garcia em 1878.
2)
Na segunda fase considerada como realista,
Machado abre espaços para a ánalise dos valores sociais e questões psicológicas
dos personagens. Nesta fase Machado
descobriu enfim sua vocação verdadeira que era contar a essência do homem, em
sua existência precária, destacando suas vontades, defeitos e qualidades.
Podemos destacar algumas obras como: Memórias Póstumas de Brás Cubas publicado
em 1881, Quincas Borva em 1892, Dom Casmurro em 1900 e Memorial de Aires em
1908.
Machado
de Assis também foi um dos
maiores cronistas de sua época, e suas crônicas são excelente fonte histórica.
Nos seus textos é possível descobrir o Brasil da segunda metade do século XIX:
os costumes, o que faziam os governantes, como era a cidade do Rio de Janeiro.