quinta-feira, 17 de julho de 2014

Análises 2º trimestre: "O ex-mágico da Taberna Minhota", "O Pirotécnico Zacarias", "Bárbara", "Teléco, o Coelinho", "Ofélia, meu Cachimbo e o Mar" e "Os Dragões"



O Ex-mágico da Taberna Minhota

  O personagem, protagonista e narrador do conto descreve-se como uma pessoa que percebe sua existência, já em idade madura, quando se olha no espelho de uma taberna. Ele começa, então, a fazer mágicas involuntariamente, ou seja, objetos e seres começam a aparecer retirados de seus bolsos. Chapéus ou por simples movimentos de suas mãos. As mágicas divertiam o público, contudo seu comportamento sempre foi o de uma pessoa completamente entediada com o que ocorria à sua volta.
 Com o passar do tempo, o tédio cede lugar a uma crescente irritação por causa das mágicas que aconteciam o tempo todo, independentemente de sua vontade. Por isso, tenta se matar diversas vezes, mas a cada tentativa, acontece alguma mágica que impossibilita o suicídio. Já desesperado, o protagonista só consegue encontrar uma espécie de morte quando se torna funcionário público.

No final do conto, o ex-mágico chega a sentir saudades de sua antiga condição e se sente arrependido por não ter criado "todo um mundo mágico" quando podia. 

O Pirotécnico Zacarias


O conto O Pirotécnico Zacarias, de Murilo Rubião, retrata o fim de um homem que era excluído socialmente. Ao ser atropelado por um grupo de seis jovens bêbados, Zacarias reflete sobre a sua vida e onde ele será enterrado. Tendo em vista que os adolescentes iriam atirar-lhe em um precipício, interviu na discussão dos jovens. Após o tombo e o desmaio de um dos garotos e com os argumentos de Zacarias, ambos seguem com a farra, abandonado o garoto desmaiado e se divertindo-se no carro. Embora “estivesse morto", se divertiu com os seus novos amigos até que eles o entregassem ao cemitério.

Os textos de Murilo Rubião retratam histórias e personagens que se perpetuam hoje. No conto de Zacarias, é possível dizer que ele “aproveitou a sua plenitude na morte”. Como o próprio personagem se questionava, “só um pensamento me oprime: que acontecimentos o destino reservará a um morto se os vivos respiram uma vida agonizante?”

Bárbara


Em “Bárbara”, Murilo Rubião narra a história da protagonista de mesmo nome: uma mulher que está sempre insatisfeita e começa a fazer pedidos cada vez mais absurdos para seu marido, o narrador da história. Bárbara se tornava cada vez mais insaciável e passa a engordar, contrastando com a magreza de seu bebê, por quem não tem nenhum apreço.
O fato do marido realizar todas as vontades absurdas de Barbara só fazem seus desejos aumentarem, chegando ao ponto dela desejar uma árvore do jardim de um vizinho, o que obriga seu marido a comprar a casa ao lado e até mesmo um navio de cruzeiro para morar, algo que rapidamente é providenciado para ela.
Ao final da narrativa, Bárbara está olhando para o céu. Ao perceber que os olhos da mulher estavam voltados para a lua, o marido desespera-se imaginando que este será seu próximo pedido. A surpresa que encerra o conto, porém, é o último desejo da mulher: Não a lua, mas apenas uma minúscula estrela. O marido respirou aliviado. 

Teléco, o Coelinho


Esse conto é sobre um colecionador de selos. Quando estava na praia, olhando para o mar, conheceu um coelho chamado Teleco, que podia se transformar em outros animais. Levou-o para sua casa e a partir daí tornaram-se grandes amigos. A princípio, Teleco se transformava para ajudar os outros e brincar com as crianças.
Um dia, quando o narrador chega em casa do trabalho, Teleco, agora como canguru, está com uma mulher, Teresa, que moraria com eles. No entanto, agora ele afirmava ser homem, cujo nome era Antônio Barbosa. Usava roupas e um óculos para que realmente parecesse um homem.
O narrador, porém, se apaixona por Teresa, e ao ver seu desprezo por ele, e o jeito como Teleco está agindo, usando suas coisas e mostrando-se muito diferente de como era, manda-os sair de sua casa.
Passado algum tempo, em uma noite, ele está colando selos, quando entra pela janela um cachorro. Era Teleco.  Perguntou por Teresa, mas o cachorro só dava respostas confusas, sem sentido, transformando-se em vários animais. Estava doente, com tosse e não conseguia se alimentar direito.
O narrador cuidava dele e, na última noite, Teleco estremecia de leve e, aos poucos, foi se acalmando. Cansado, o narrador adormece, e ao acordar percebe que quem estava no seu colo agora era um bebê, morto.

- Esse conto é narrado em primeira pessoa do singular, ou seja, o narrador faz parte da narrativa, mesmo não sendo o personagem principal.
- A narrativa nos faz perceber as repentinas transformações do personagem, uma tentativa de adaptação a um mundo onde não há mais valores como a inocência e a pureza.
- O tema é a animalização da humanidade, pois o homem, muitas vezes, está deixando de ser um homem devido as suas atitudes. E Murilo Rubião demonstra isso através das metamorfoses de Teleco, que deseja tanto se tornar homem, que chega a acreditar que na pele de um canguru já pode ser considerado um homem, passando assim, a agir como um. Assim, podemos perceber, que o inocente e puro coelho logo é transformado em um ser muito diferente do que era, passando a ter atitudes que os homens tem.
- Não é possível sabermos o que Teleco sente, mas isso é revelado através de suas metamorfoses, das quais o leitor tira suas próprias conclusões.
- Murilo Rubião usa um sentido bíblico em sua narrativa, mostrando que, ao sofrer as constantes transformações, Teleco perde o controle de si mesmo, e acaba descobrindo o quão cruel o ser humano é e que nada pode fazer para mudar isso.

Ofélia, meu Cachimbo e o Mar


Ofélia, meu cachimbo e o mar

Gosto de conversar com Ofélia na varanda após o jantar, cachimbo entre os dentes e o oceano, enegrecido pela noite, estendendo-se à nossa frente.
Conto-lhe episódios da crônica de minha família ou do mar, esquecendo-me, quase sempre, de que ela só aprecia histórias de caçadas. Quando me lembro disso, lamento a condição de Ofélia, descendente de uma nobre estirpe de caçadores. Mas o que posso fazer, além de lastimar? Não sinto atração por esse esporte e entre os meus antepassados não sei de algum que tenha levantado a arma para exterminar animais que não fossem do gênero humano.
Se noto que a conversa vai morrendo, por culpa de Ofélia que cerrou os olhos, para melhor sonhar com selvas e tiros, calo-me por instantes e me ponho a ouvir vozes soturnas que
vêm do mar. Ouço as sirenas, que cortam a noite como gemidos: de homens que se perderam em águas longínquas.
Talvez seja mera impressão minha. Os sons emitidos pelas naves, procurando ou se afastando do porto, podem simbolizar, para outros, coisa bem diferente. A Pedro, um velho marinheiro sardento, eles lembram apenas as tabernas inglesas.
Não sei de onde tirou tão estranha ligação, pois nunca toma o trabalho de explicá-la. Contenta-se, quando instado a esclarecer o motivo, em levar os olhos em direção ao oceano, como se quisesse enxergar algo encoberto pelas imensas moles d'água.
O botequineiro, que ostenta no corpo dezenas de tatuagens – todas alusivas a amores passados – diz que "são artes de rabo de saia". Discordo: marinheiro velho lembra-se de mulher somente para ter saudades do mar.
II
Seja qual for a razão, o meu amor pelas mulheres veio do mar. Não que eu seja ou tenha sido marinheiro. Nem o menos nasci numa cidade litorânea. Sou de um vilarejo de Minas, agoniado nas fraldas da Mantiqueira. Nas minhas veias, porém, corre o melhor sangue de uma geração de valentes marujos.
Na minha infância, enquanto os companheiros subiam nas árvores, ou caçavam passarinhos, eu me debruçava na banheira e me divertia fazendo navegar pequenos barcos de papel.
Com os anos, as minúsculas embarcações passaram a não me entreter mais, nem me contentava em imaginar, de longe, a beleza dos veleiros singrando verdes águas.
Esperei que meu pai fizesse a sua última viagem que, aliás, por pouco não foi marítima – morreu engasgado com uma espinha de peixe – para ir morar no litoral.
III
A desilusão me aguardava neste porto. Logo ao desembarcar, fraturei um dos pés e fiquei inutilizado para os trabalhos marítimos.
Após um período de denso desespero, consolei-me da frustração. Distraía-me passeando pelas praias, sempre apoiado em muletas. Conversava com pescadores ou simplesmente observava os navios, a me sugerirem longos cruzeiros por oceanos infestados de piratas malaios, parecidos com aqueles que antigamente apareciam bem nítidos na minha imaginação. E pouco faltou para convencer-me de ter sido em outros tempos experimentado marinheiro.
Despreocupado, a minha vida escorregava mansamente, sem que me aborrecesse o tédio da inatividade. Quando acabou o dinheiro que trouxera de Minas, pensei em procurar emprego. Mas o que poderia fazer um homem aleijado, com a vocação de navegante, depois que lhe roubaram o mar?
IV
Do meu bisavô também roubaram o mar.
José Henrique era capitão de navio negreiro. Estatura gigantesca, ombros largos, desde menino navegava em veleiros que iam à cata de negros para as lavouras do país.
Fisionomia dura, barba negra, a boca sem os dentes da frente, compunham a sua figura bastante temida pelos marujos e escravos.
Para provar a força e a coragem do meu bisavô, contavam que, certa vez, quando uma tremenda tempestade ameaçava afundar o seu barco e de terem vários marinheiros caído no mar, tentando baixar as velas, ele subiu sozinho, mastro acima, e as arreou. A façanha lhe custou boa parte da dentadura, pois teve que se agarrar, com as mãos e os dentes, a panos e cordas, para evitar uma desastrosa queda.
Com a Abolição da Escravatura, José Henrique retirou-se para uma fazenda, onde passava os dias estirado numa rede.
Em alguns momentos, no embalo da nostalgia, decidia-se a retornar ao comando de uma nave qualquer. Agitado, compulsava mapas, ou pegava de uma velha roda de leme e ia para o alto de um morro para simular ordens de comando.
Depois, os altos cumes da Mantiqueira, escondendo-lhe o oceano, a certeza de que jamais poderia comandar navios negreiros, faziam com que ele retornasse à rede.
Raramente de bom humor, apenas sentia-se feliz quando, de porta-voz em punho, comandava subordinados imaginários.
Já o meu avô, que nascera em Minas, contentava-se em fazer barcos de madeira e colecionar estampas de navios. Desculpava-se freqüentemente de não ter seguido a vocação ancestral, repetindo o velho José Henrique:
– O mar? Só em navio negreiro!
Talvez desculpasse o seu horror por qualquer espécie de água: em seus oitenta vigorosos anos de vida conheceu apenas a que o padre lhe ministrara na cerimônia do batismo.
Ante o exemplo paterno, meu pai jamais externou o desejo de ser navegador, nem tampouco abusou dos banhos.
VI
Todavia, os fracassos navais de minha família não evitaram que eu viesse parar neste porto e, um dia, chegasse a passar fome.
Não sofri a fome por muito tempo. Logo conheci Alzira, uma viúva, cujo marido se enriquecera no contrabando de bebidas. E suicidara-se, por motivos que a minha falecida esposa nunca me revelou. Sim, a minha falecida esposa, que desposei alguns dias depois de nos conhecermos.
Devo esclarecer que não a pedi em casamento por causa de sua fortuna e ainda menos pela sua beleza um tanto equívoca: tinha a cara de tainha e o odor das lagostas. Foi pelo seu odor e não pelo rosto que a escolhi para minha mulher.
O nosso casamento durou pouco mais de um ano e terminou com a morte de Alzira, motivada por umas sardinhas deterioradas que ela comera.
VII
Ofélia, que não tolera o meu silêncio, interrompeu agora os meus pensamentos com um latido forte. Olho para ela e, instintivamente, vou iniciar uma história relacionada com o mar e me detenho ao perceber o seu olhar desaprovador. Sei que Ofélia está à espera de uma das minhas mentiras habituais. Revolto-me com a ingratidão dela: se não a abrigasse em casa, o seu destino seria o mesmo dos cães vadios.
– Não, Ofélia. Você poderia ser menos intolerante com as minhas fantasias. Aqui, neste lugarejo, espremido entre montanhas, sem divertimentos, não apreciando caçadas e tendo herdado a vocação do meu bisavô marinheiro...
Percebo que não fui muito convincente e insisto com mais vigor:
– Sim, ele existiu, é verdade!
Vendo que ela não presta mais atenção no que estou dizendo, desisto de convencê-la:
– Perdoa-me, Ofélia, não sei por que procedo assim. Mas gostaria tanto se aquele meu  bisavô marinheiro tivesse existido!

Análise do conto

Personagens Principais:
- Ofélia: A cadela
- Narrador: Conta em 1ª pessoa sob a forma de diálogo

Espaço:
O conto se passa na varanda do narrador, contudo o mesmo começa a contar sobre as memórias de seus antepassados passando por períodos da história do Brasil como o dos tráficos negreiros e após a abolição da escravatura.

Tempo:
A parte cronológica do conto se passa no presente enquanto o narrador fala com a cadela Ofélia. Apartir disso vem a parte psicológica onde o narrador começa a devanear sobre o perfil de pessoas conhecidas, história de seus antepassados, que no fim vamos descobrir que não foram verídicas.

Enredo:

O conto é sobre um homem que mora entre montanhas longe do mar falando sobre histórias de seus antepassados para sua cachorra, que gosta das que tem algum tipo de caça (provavelmente por influência de sua raça). Após notar que Ofélia não dava muita atenção ao inicio da história que tinha começado relembra das histórias as quais tinham alguma relação com o mar. Justificando seu fascínio pelo mesmo. Depois de histórias passando por períodos históricos do Brasil, volta a realidade com os protestos da cachorra ao seu silencio perturbador, se irritando com a mesma pela a falta de credibilidade em suas histórias, acaba desistindo e se desculpando com ela assumindo que queria muito que suas histórias fossem verdadeiras.

Os Dragões

“Os Dragões” de Murilo Rubião é um conto que mostra que as vezes não importa o quanto você tente ajudar uma pessoa, ela vai acabar escolhendo o próprio caminho. O conto começa com a aparição de alguns dragões em uma vila que precisa descobrir o que poderia fazer com eles. Primeiramente, o padre os descreve como crias do demônio que não deveriam ser ajudadas e sim trancadas em um local, uma só pessoa é contrária a ideia e diz que eles deveriam educar os dragões. Porém, como era a recomendação de um padre contra uma pessoa do povo, os dragões passaram um tempo trancados dentro de um casebre, logo após alguns dias as pessoas reconsideram e pedem para o homem que havia dito que deveriam treinar os dragões que os educasse.
Infelizmente, ele não tem muita sorte e a maioria dos dragões morre de embriaguez ou fome. Entre os dragões sobreviventes, o primeiro fez uma mulher cometer o adultério e a fugir com ele, poucos dias depois o marido da mulher o matar. Já o último consegue aprender algumas coisas e vive até a fase adulta, assim que aprende a vomitar fogo, seu caminho descarrilha e ele perde o senso de certo e errado.

Quando um circo vem ao povoado o dragão mostra que é muito mais interessante do que as atrações trazidas pelo circo e recebe muitas ofertas para trabalhar. Ele nega todas as ofertas e no dia seguinte desaparece misteriosamente. Nunca mais viram-se os dragões, restaram apenas as lembranças.